Como exportar café verde do Quênia: licenças, leilão e vendas diretas
O café queniano pode chegar a um comprador estrangeiro por dois caminhos principais: o leilão de uma bolsa de café ou uma venda direta registrada. Desde 27 de março de 2026 os dois seguem uma nova lei, a Lei do Café de 2026 (Coffee Act, 2026). Este guia explica quem precisa de qual licença e o que precisa acontecer antes de um contêiner sair. É um resumo, não aconselhamento jurídico: confirme as regras vigentes com o Conselho do Café do Quênia (Coffee Board of Kenya) antes de negociar.
Atualizado em 3 de outubro de 2026 · 5 fontes
A lei de 2026 em resumo
A Lei do Café de 2026 (Lei n.º 8 de 2026) foi sancionada em 13 de março de 2026 e entrou em vigor em 27 de março de 2026. Ela cria o Conselho do Café do Quênia, que assume as funções cafeeiras da Autoridade de Agricultura e Alimentação (AFA), e um Instituto de Pesquisa e Formação do Café. Licenças e permissões emitidas pela AFA antes da mudança são tratadas como emitidas pelo Conselho, e qualquer referência à AFA em contratos de café ou outras leis passa a valer como referência ao Conselho.
Pela lei, o café queniano pode ser vendido em leilão numa bolsa, por vendas diretas, por meio de uma bolsa internacional ou por qualquer outro método que o Secretário de Gabinete estabelecer.
Quem emite cada licença
| Licença ou permissão | Emitida por |
|---|---|
| Licença de comprador de café; licença de comércio de café | Conselho do Café do Quênia |
| Licença de beneficiador comercial | Conselho do Café do Quênia |
| Licença de operador de armazém; licenças de laboratório de prova e de provador | Conselho do Café do Quênia |
| Permissão de movimentação de café limpo para exportação | Conselho do Café do Quênia |
| Licenças de estação de despolpa, de beneficiamento do produtor e de torrefador; permissão de pergaminho | Governo do condado |
| Licença de bolsa de café; licença de corretor | Autoridade do Mercado de Capitais (CMA) |
As licenças não são transferíveis e vencem em 30 de junho de cada ano; as renovações podem ser pedidas até 1.º de junho. A lei separa funções: o titular de uma licença de comprador não pode também operar beneficiadora comercial, corretora, torrefação, agência ou armazém, e um beneficiador não pode ser também comprador, corretor, torrefador ou agente.
Caminho 1: o leilão
O perfil do país da OIC descreve o leilão central da Bolsa de Café de Nairóbi (NCE) como o principal canal de comercialização do Quênia, com as vendas diretas como segunda janela. No caminho do leilão:
- O produtor (uma cooperativa ou uma fazenda) entrega o pergaminho a um beneficiador comercial licenciado, que o beneficia e classifica.
- O café limpo é guardado num armazém licenciado e oferecido à venda por um corretor licenciado pela Autoridade do Mercado de Capitais.
- Compradores e torrefadores licenciados recebem amostras de oferta (250 g por lote pelas Regras de Negociação da NCE de 2024) antes do leilão e dão lances em dólares americanos.
- O comprador paga no sistema de liquidação; pela lei, o valor do leilão deve chegar à conta do produtor em até 14 dias.
Só compradores e torrefadores licenciados negociam na bolsa, e comprar café limpo ali para exportar exige uma licença de comprador de café. Por isso, um torrefador ou importador estrangeiro sem licença compra por meio de um comprador licenciado que dá os lances e embarca em seu nome.
Caminho 2: vendas diretas
Uma venda direta é um contrato entre um produtor registrado, uma cooperativa, uma união, um produtor-beneficiador ou uma fazenda e um comprador no exterior pelo café limpo do próprio produtor. A lei fixa condições:
- Antes de concluir o contrato, uma amostra de no máximo 250 g vai para uma bolsa para análise de qualidade e descoberta de preço; a bolsa responde em 14 dias. Contratos de vendas futuras estão isentos dessa etapa.
- O preço deve se comparar favoravelmente ao preço da bolsa.
- O produtor entrega declarações anuais de vendas diretas com o contrato, o tipo, a quantidade, o preço, a certificação se houver, o laudo de qualidade, a forma de pagamento e uma cláusula de solução de disputas.
- O valor da venda é liquidado pelo sistema central de liquidação operado com uma bolsa de café.
- Uma licença de comprador sozinha não autoriza vendas diretas: o contrato de venda direta precisa ser notificado e registrado.
Para um torrefador, uma venda direta permite comprar pelo nome o café de uma cooperativa ou fazenda e combinar qualidade e preço com antecedência. A lei permite que os produtores nomeiem um agente registrado no Conselho para cuidar da logística das vendas diretas ao exterior.
Documentos necessários para embarcar
Pela seção 80 da lei, ninguém pode exportar café sem:
- Um certificado fitossanitário do Serviço de Inspeção Fitossanitária do Quênia (KEPHIS).
- A notificação e o registro do contrato de venda direta (nas vendas diretas).
- Um certificado de origem e um certificado de qualidade do Conselho do Café.
- Quaisquer outras aprovações exigidas pelo Conselho, inclusive a permissão de movimentação do café limpo que sai para exportação.
Amostras ou volumes de no máximo 20 kg não precisam de licença de comprador se cumprirem os demais requisitos de licença e certificação. Os compradores da UE também vão precisar de dados de desmatamento a partir de 30 de dezembro de 2026: veja nosso guia do EUDR.
Taxa e custos
A lei permite que o Secretário de Gabinete, por aviso na Gazeta do Quênia, institua uma taxa de desenvolvimento e comercialização do café de 2,5% do valor exportado, cobrada pelo sistema de liquidação. Verifique se ela foi publicada na Gazeta e como é aplicada ao precificar um contrato. As tarifas de beneficiamento, corretagem, armazenagem e bolsa são combinadas com cada prestador.
Lista de verificação para um primeiro embarque
- Confirme a licença ou o registro do vendedor com o Conselho do Café do Quênia.
- Combine por escrito tipo, peneira, umidade, perfil de bebida, quantidade, preço, Incoterm e pagamento.
- Aprove uma amostra de pré-embarque.
- Garanta que o contrato de venda direta esteja registrado (vendas diretas) ou que o lote do leilão seja faturado a um comprador licenciado.
- Confira o certificado fitossanitário, o certificado de origem e o certificado de qualidade antes de pagar contra documentos.
Vendedores quenianos podem anunciar lotes de graça no Coffee Parchment e compradores podem ver os lotes de café do Quênia. Tipos como AA e AB são explicados no nosso guia de classificação.
Perguntas frequentes
Um comprador estrangeiro pode comprar direto de uma cooperativa queniana?
Sim, por meio de uma venda direta: um contrato entre a cooperativa (ou fazenda, união ou produtor-beneficiador) e um comprador no exterior. Primeiro uma amostra de 250 g vai a uma bolsa para análise de qualidade e descoberta de preço, o contrato precisa ser registrado e o pagamento passa pelo sistema central de liquidação.
Preciso de licença para comprar na Bolsa de Café de Nairóbi?
Sim. Só compradores e torrefadores licenciados negociam na bolsa. Uma empresa sem licença compra por meio de um comprador licenciado.
As licenças emitidas pela AFA continuam válidas?
Sim. A Lei do Café de 2026 trata as licenças e permissões emitidas pela Autoridade de Agricultura e Alimentação antes da mudança como emitidas pelo Conselho do Café do Quênia. As licenças vencem em 30 de junho de cada ano.
Em quanto tempo os produtores quenianos recebem depois do leilão?
A lei exige que o valor da bolsa seja pago na conta do produtor em até 14 dias, pelo sistema central de liquidação.
Fontes
- Kenya: The Coffee Act, 2026 (Act No. 8 of 2026), via FAOLEX ↗
- KBC: President assents to the Coffee Act (13 March 2026) ↗
- Nairobi Coffee Exchange: Trading Rules, 2024 ↗
- Kenya: The Capital Markets (Coffee Exchange) Regulations, 2020 ↗
- ICO: Country Coffee Profile, Kenya (2019) ↗
Verificado em 3 de outubro de 2026. Leis, regras e preços mudam: consulte sempre a fonte oficial antes de negociar. Este guia é informação geral, não aconselhamento jurídico.